INVICTOS, LUIZ COLLA, SARTI NETO E IAN BAZETH VENCEM A 2ª ETAPA DO ESTADUAL INDIVIDUAL 2026

Por Alysson Cardinali | Diretor de Comunicação Dadinho | FEFUMERJ

O belo e histórico hino do São Cristóvão Futebol e Regatas ecoou, em alto e bom som, no salão nobre do Club Municipal, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, dia 31 de maio, após a segunda etapa do Campeonato Estadual de futebol de mesa (regra Dadinho 9 x 3). Não é exagero afirmar que o clube Cadete “fez escolla” em sua inédita conquista na categoria adulto, após Luiz Colla ficar no 4 a 4 com Vinicius Esteves, do Friburguense. O craque mineiro foi campeão de forma invicta, com nove vitórias e três empates, e inscreveu seu nome na seleta lista de ícones do esporte em competições ligadas à Federação de Futebol de Mesa do Rio de Janeiro (Fefumerj). Na categoria Master, o troféu de campeão ficou com Sarti Neto, do Fluminense, enquanto Ian Bazeth, do Flamengo, fez a festa entre a garotada do Sub-18.

Com a presença de 106 abnegados botonistas, a categoria adulto voltou a reunir a nata da Dadinho estadual. Desde a primeira fase, Vinícius e Colla se destacaram no pelotão de favoritos ao título – foram os únicos a vencer os sete jogos em seus grupos (B e F), com 100% de aproveitamento. O craque de Figueira de Melo teve melhor saldo, com 31 gols marcados e 15 sofridos (16), à frente do destaque do time serrano, atual campeão estadual, com 29 gols feitos e 15 sofridos (14). O que não significa dizer que outras feras não tenham mostrado o habitual talento, como os americanos José Augusto, Victor Praça, Regis Martins e Gyraffa; os tricolores Bandini e Quartarone; os cruzmaltinos Renato Oliveira e Brunão; os rubro-negros Belga e Tavares; e os riveristas Matoso e Jhonathan, também líderes de seus grupos.

Na segunda fase, excetuando-se a derrota (1 a 0) de José Augusto para Fabiano (Flamengo), todos os ponteiros em suas chaves seguiram na luta pelo título. Na fase seguinte, porém, Régis, Jhonathan, Victor Praça, Renato Oliveira, Belga e Tavares ficaram pelo caminho, diante de Juninho (Fluminense), Harley (Lafume), Léo Azeredo (Lafume), Vitinho (River), Kaká (Liga Fonte) e Edu Medeiros (Liga Fonte), respectivamente. Prova de que o equilíbrio de forças e a qualidade dos jogadores elevam a disputa a níveis estratosféricos na categoria adulto. A montanha russa de emoções seguiu alucinante nas oitavas de final. Colla, Vinícius Esteves, Gyraffa, Quartarone, Matoso, Bandini e Edu Medeiros seguiram adiante, agora na companhia de Alexandre Aires (Fluminense).

Nas quartas de final prevaleceram as melhores campanhas de Colla, Vinícius, Gyraffa e Quartarone, que eliminaram Edu Medeiros (4 a 2), Bandini (3 a 3), Matoso (6 a 3) e Aires (9 x 3), em um prenúncio das batalhas que viriam nas semifinais. E que batalhas! Em uma delas, Colla e Quartarone ficaram em um emocionante 3 a 3, resultado que levou o atleta do São Cristóvão à final. Na outra, Vinícius Esteves fez 5 a 2 sobre Gyraffa e cravou o nome do Friburguense em outra decisão de uma etapa do Estadual. Aliás, uma disputa de título inédita, já que São Cristóvão e Friburguense desbancaram os gigantes America, Flamengo, Fluminense, River e Vasco e fizeram a primeira final entre eles na história do Estadual.

No duelo pelo título, em uma partida de alto nível, para testar o coração de quem ama o futebol de mesa, Vinícius abriu 2 a 0 no plaçar, mas Colla diminuiu pouco antes do intervalo. Na segunda etapa, o atleta do São Cristóvão buscou o 2 a 2, só que o representante do Friburguense abriu 3 a 2 na sequência. Colla, que tinha a vantagem do empate, foi atrás do 3 a 3. Vinicius ainda fez 4 a 3 e já sonhava com o lugar mais alto do pódio quando Colla, a 20 segundos do fim do jogo, decretou o emocionante 4 a 4. Vinícius até conseguiu um tem-chute, mas parou no goleiro de Colla, um campeão inédito e que começou a “fazer escolla” no Estadual de 2026. O pódio da categoria adulto ainda teve Quartarone (Fluminense) em terceiro lugar, seguido por Gyraffa (America), Bandini (Fluminense), Alexandre Aires (Fluminense), Matoso (River) e Edu Medeiros (Liga Fonte). Após a inédita façanha, Colla falou sobre sua conquista.

1- Você é um multicampeão em Minas Gerais, com destaque, também, no cenário nacional, mas como avalia sua primeira conquista de peso no futebol de mesa carioca, considerado o celeiro de craques do dadinho no Brasil?
— É algo inimaginável. É mais difícil que uma competição nacional. Não a questão sobre nível de jogadores, pois em relação ao Brasil, temos ótimos jogadores em vários Estados, mas pela própria competição. São mais de 100 inscritos para se jogar em apenas um dia. São 14 chaves com sete ou oito botonistas, onde passam os quatro primeiros (quem não passa já está eliminado e não joga mais). Depois começam os play-offs em 32 avos, depois 16 avos, oitavas, quartas, semi e final. São todos jogos tensos até o final. “Haja coração!”

2- Como avalia sua campanha na segunda etapa do Carioca?
Espetacular. Fui a melhor campanha geral após a primeira fase (sete jogos e sete vitórias, contando, é claro, com um WO). E depois as eliminatórias contra o Maia Júnior, Paulinho Quartarone, Alanzito, Edu Medeiros, Marcelo Leão e o Vinícius. E passei por todos, claro que com um pouco de sorte e competência também.

3- Como foi a final contra o Vinicius?
— Fantástica. O Vinícius é a “bola da vez”. Jogador altamente competente na mesa. Técnico e sabe fazer o jogo. Mas mantive a calma, ainda sabendo que o empate era meu. Carrego certas filosofias comigo: uma delas é a de que quando o jogador muda a forma de jogar durante o jogo, ele desacelera, perde o foco de fazer gol, e isto me ajuda no jogo, fazendo com que meu foco aumente, pois terei a oportunidade de chutar menos. E foi o que aconteceu. Quando comecei a fazer gol, o Vinicius ficou nervoso e fui feliz ao final do confronto.

4- Qual foi o jogo mais marcante na sua campanha?
— Meu jogo com o Marcelo Leão (Kamikaze) na 32 avos de final. Fiz 3 a 0 já no início do jogo. De repente ele fez três gols seguidos ainda no primeiro tempo. Na metade do segundo tempo, fiz o quarto gol e fiquei tranquilo. Mas na saída do meio de campo, o Leão empatou e virou um drama até o final, quando ele ainda teve o tem chute. Fui 100 % e quase fui eliminado no primeiro mata-mata.

5- O que representou para você ser campeão com o manto do São Cristóvão?
— Foi fora da curva. Foi o compromisso que combinei com o Bruno Santos (chefe do departamento de futmesa do São Cristóvão). E ver que está surgindo resultado é porque o universo está conspirando a favor. E é feito de coração acima de tudo.

6- Como avalia o trabalho do Bruno e do Papito à frente do futebol de mesa cadete?
— Formidável. São vibradores demais e vivem, respiram, dormem, acordam, namoram o futebol de mesa. Chega uma hora em que começam a colher os frutos. É um trabalho árduo, mas eles estão mostrando que vale a pena.

7- Podemos dizer que o São Cristóvão está fazendo ‘escolla’?
— Pode ser. O que entendo é que se trata de um exemplo de dedicação e objetivos a serem alcançados. E está dando resultado.

8- Quais os planos paro futuro? Ser campeão estadual no Rio de Janeiro está no radar?
— Não carrego expectativas comigo. Gosto do estilo europeu de resultado. Penso em manter sempre a média, tentando chegar ao pódio. Na Copa do Brasil, por exemplo, desde 2015 consigo chegar entre os oito primeiros: terceiro colocado, em 2015; quarto, em 2016; terceiro, em 2017 e 2018; quinto em 2019, 2023 e 2025; ausente, em 2022; vice-campeão, em 2024; e sétimo em 2026. No Estadual do Rio, meu objetivo é ficar entre os 32 melhores para jogar a última e decisiva etapa.

9- Como você avalia o cenário atual do futebol de mesa carioca?
— É o celeiro da modalidade dadinho. Fiquei encantado com a quantidade de garotos jogando a etapa. O nível é espetacular e vai continuar dominando o cenário nacional por muito tempo. Isto se não aparecer um maneirinho come-quieto para confundir o cenário (risos).

A campanha de Luiz Colla
4 x 3 Hiago (Friburguense)
4 x 2 Léo Bento (Flamengo)
4 x 2 Edu (Vasco)
6 x 1 André Guapi (Botafogo)
6 x 3 Lais Marcelo (Fluminense)
6 x 4 Franklin (Humaita)
4 x 4 Marcelo Leão (Kamicaze)
4 x 1 Allanzito (São Cristóvão)
2 x 1 Maia Júnior (Fluminense)
4 x 2 Edu Medeiros (Liga Fonte)
3 x 3 Paulinho Quartarone (Fluminense)
4 x 4 Vinícius (Friburguense)
Total: 12 jogos, com 9 vitórias e 3 empates, marcando 51 gols e sofrendo 30 gols.

Master
Emoção de sobra na categoria Adulto, pura emoção na Master. Com a habitual precisão nos chutes de longa distância, Sarti Neto, do Fluminense, ficou com o título de campeão invicto da segunda etapa do Estadual ao derrotar outro craque das mesas, Maurício Tarouca, do Vasco da Gama, por 4 a 3, na grande finalíssima. O atleta tricolor, que obteve dez vitórias e dois empates, ditou o ritmo da competição, que contou com 48 botonistas. O terceiro lugar ficou com Edmundo, outro ícone do Time de Guerreiros, que fez valer a vantagem do empate e segurou o 0 a 0 com George, da Liga Fonte. O pódio foi completado por Latino (Liga Fonte), em quinto lugar; Guns (Liga Fonte), na sexta colocação, BYK (Botafogo), em sétimo; e Júlio César (Lafume), na oitava posição.

A campanha de Sarti Neto
3 x 0 Alcides (Kamikaze)
2 x 0 Jonas Balls (River)
1 x 0 Osmen (Botafogo)
1 x 1 Alysson (Vasco da Gama)
5 x 2 Samurai (Lafume)
2 x 1 Marcelo (Cabofriense)
4 x 3 Latino (Liga Fonte)
4 x 3 Marcelo (Cabofriense)
4 x 1 Mendez (Botafogo)
3 x 3 Júlio César (Lafume)
2 x 1 George (Liga Fonte)
4 x 3 Tarouca (Vasco da Gama)
Total: 12 jogos, com dez vitórias e dois empates. Marcou 35 gols e sofreu 18.

Sub-18
Já entre a garotada da categoria Sub-18, a festa foi rubro-negra, após a vitória de Ian Bazeth, do Flamengo, sobre Matheus, do River, por 4 a 2, fechando uma campanha invicta de seis vitórias e dois empates em nove partidas. A segunda etapa do Estadual, disputada por 15 atletas, divididos em dois grupos, teve Kristian, do Vasco da Gama, em terceiro lugar, após empate em 0 a 0 com Arthur Kruger, do Grajaú Tênis Clube. O pódio foi completado por Matheus (embaixadores), Davi Souza (Embaixadores), Bernardo (Embaixadores) e Mateus (Botafogo).

A campanha de Ian Bazeth
3 x 3 Bryan (Flamengo)
1 x 0 Davi Souza (Embaixadores)
1 x 0 Barnardo (Humaitá)
0 x 0 Arthur Kruger (Grajaú Tênis Clube)
3 x 0 Lucas (Kamikaze)
0 x 0 Bernardo (Embaixadores)
2 x 1 Matheus (Embaixadores)
4 x 3 Kristian (Vasco da Gama)
4 x 2 Matheus (River)
Total: Foram nove jogos, com seis vitórias e três empates, 18 gols marcados e nove sofridos.