BANDINI É TRICAMPEÃO DA COPA DO BRASIL EM FLORIANÓPOLIS

Por Alysson Cardinali | Diretor de Comunicação Dadinho | FEFUMERJ
Reprodução parcial e fotos: Site CBFM

Um é pouco, dois é bom e três é bom demais. Subvertendo o provérbio popular, Rodrigo Bandini, do Fluminense, fez bonito, em Florianópolis (SC), e conquistou o tricampeonato da Copa do Brasil de futebol de mesa (regra Dadinho) 2019/25/26. Na competição deste ano, realizada no Cambriela Hotel, no bairro Estreito, nos dias 16 e 17 de maio, o craque tricolor venceu Thiago Spitz, do Nova Friburgo Futebol Clube, por 2 a 0, na decisão da Série Ouro, e coroou uma campanha de 14 vitórias e apenas três derrotas, com 51 gols marcados e 17 sofridos. Na Série Prata, o título ficou com Gatto, do São Cristóvão-RJ; na Bronze, com Marcio Coelho, do Eldorado-MG; e na Extra, com André Araújo, da Assefe-DF. No Sub-18, Arthur Kruger, do Grajaú Tênis Clube, foi o campeão. A 17ª Copa do Brasil contou com a presença recorde de 144 botonistas inscritos e foi organizada pelo Desterro Futmesa, com apoio da Federação Catarinense de Futebol de Mesa (FCFM) e chancela da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM). Após mais uma façanha em sua vitoriosa trajetória, Bandini deu detalhes de sua histórica conquista.

1 – Um é pouco, dois é bom e três é bom demais?
Sim, três é bom demais, com certeza, mas um não é pouco. Para quem joga futebol de botão, um título apenas da Copa do Brasil não é pouco. Dois é muito. Três é muito mais que bom (risos). E espero que venha muito mais.

2 – Qual o sentimento após faturar o tricampeonato da Copa do Brasil?
Prazeroso. É um sentimento que você acha que vai estar acostumado, mas é sempre novo, sempre muito prazeroso, uma mistura de sentimentos. Você acha que estará acostumado, após ganhar a primeira, ganhar a segunda, mas é sempre muito bom, aquele clima, as pessoas em volta da mesa torcendo por você… Sempre é muito prazeroso, eu comemoro bastante, a emoção fica na minha cabeça por um bom tempo.

3 – Qual deles foi mais difícil?
Essa é uma pergunta difícil, pois cada título teve um peso. O primeiro foi muito difícil justamente por ter sido o primeiro, você não tem a bagagem, os confrontos decisivos sempre pesam mais, você nunca ganhou, o que também tem um peso. Em 2019, no primeiro mata-mata, ganhei do João Paulo no tem-chute, foi bem difícil. O segundo título teve o peso se ter sido uma final contra o Brayner, que tinha a vantagem do empate para ser campeão, o que torna o campeonato muito mais difícil. Na conquista deste ano tive dificuldades na fase de grupos, me enrolei em jogos teoricamente fáceis, pois não existe jogo fácil na Copa do Brasil – perdi de 2 a 0 para o Pity, e uma partida na qual não consegui fazer gol… No mata-mata, peguei o Vitinho, que é um adversário difícil, o Lucas Mendonça, que estava ganhando de todo mundo, encarei o Colla. Difícil falar qual foi o mais difícil.

4 – E a final com o Thiago Spitz, do NFFC, como avalia? Ficou surpreso com a ida dele à final?
Em relação à final, eu ficaria surpreso se você me falasse, antes do campeonato, que eu decidiria o título com o Thiago. Acho que ele também ficaria. Mas pela campanha dele, na fase de grupos Copa do Brasil, não foi surpresa nenhuma. Ele foi 100% no primeiro dia e ficou em primeiro lugar na classificação geral. Então, não foi surpresa alguma ele chegar à decisão, tanto que ele eliminou o Brayner e o Hugo, que estava jogando para caramba.

5 – Como avalia a sua campanha?
Foi muito fraca no primeiro dia, embora eu tenha começado o campeonato com três vitórias, mas a derrota (2 a 0) para o Pity me desestabilizou, pois o dadinho não entrou. Aí, folguei uma rodada e, na sequência, perdi para o Bê Magalhães, ficando com duas derrotas. Depois ganhei do Eid, por 2 a 1, mas só Deus sabe como foi essa partida. Joguei mal no primeiro dia, o dadinho não estava entrando.

6 – E quando veio a volta por cima?
Apenas na fase final. No segundo dia, eu comecei muito bem, mas fazendo poucos gols, ganhando de 3 a 1, de 3 a 2… A primeira ganhei de 2 a 1, perdi para o Léo Azeredo por 2 a 1 e ganhei por 2 a 1 o duelo seguinte. A verdade é que fiz poucos gols na fase classificatória, mas jogando bem, marcando bem, bem taticamente, criando as jogadas, só que fazendo poucos gols. Aí, na fase final, na hora de decidir, como diz o meu amigo Washington, quando se separa os homens dos meninos, comecei a jogar muito. Fiz 4 a 0 no Vitinho, 5 a 0 no Colla, 5 a 2 no Lucas e fui campeão com 2 a 0 sobre o Spitz. Joguei bem e tomei apenas dois gols em quatro jogos de mata-mata numa Copa do Brasil. Joguei bem demais na hora que tive que jogar.

7 – Qual foi o jogo mais difícil em Floripa?
A semifinal contra o Lucas Mendonça foi marcante. O empate era dele e trata-se de um adversário muito perigoso. Tive a preocupação o tempo todo de não deixá-lo ‘gostar do jogo’, de controlar a partida, controlar os meus toques. Foi um duelo no qual qual me concentrei demais, pois sempre é um confronto muito difícil.

8 – Algum outro confronto marcante?
Sim, teve uma partida marcante, na fase de grupos, contra o Eid, um atleta de Belém do Pará, gente finíssima, um amigo que o futebol de mesa me deu. Ele fez 1 a 0 na saída e o meu dadinho não entrava. Chegou um momento, no fim do primeiro tempo, que eu tinha só um botão no campo de defesa, os outros nove estavam no ataque, e ele tinha o campo todo para criar as jogadas. Só que ele estava tão nervoso, que não conseguiu armar um chute bom. Mas ali eu pensei que iria desandar o meu jogo, já que seria minha terceira derrota seguida, que poderia complicar a minha classificação. No segundo tempo, ainda comecei mal, com uma tabela bisonha, mas depois fui me acalmando, consegui fazer dois gols, virei o jogo e deu tudo certo.

9 – E o nível da edição de 2026?
Teve um nível muito forte. Não foi 100% porque alguns atletas top do Brasil não estiveram em Florianópolis, como Paulinho, Victor Praça, Ronald Neri ,José Augusto… Mas o nível foi alto, pois tinha eu, o Brayner, o Lucas, o Ricardo Mendonça, o Colla, Vinícius, que é o atual campeão estadual…

10 – O pódio da Série Ouro foi formado apenas por atletas de agremiações do Estado do Rio de Janeiro. Até quando vai durar a hegemonia dos cariocas em relação ao restante do país?
Não sei se isso vai durar muito tempo. Os atletas de outros estados estão em uma evolução muito grande. Antigamente, você jogava contra adversários de fora e sabia que ia vencê-los. Hoje em dia não tem isso mais. Qualquer atleta de fora está jogando muito bem, fazendo gols, quase não zeram no placar. Estão evoluindo demais e cada vez mais vão estar ‘incomodando’ e aparecendo no cenário nacional. Hoje, aliás, é difícil os times do Rio dominarem absolutamente o pódio.

11 – A que você atribui essa superioridade?
Ainda ao fato de haver muito jogo, com muitos atletas jogando todos os dias da semana praticamente. Quem mora no Rio de Janeiro sabe, tem campeonato segunda-feira, terça-feira tem dois clubes para jogar, quarta-feira tem dois clubes para jogar, quinta-feira também. Só sexta-feira não tem jogo no Rio. Com isso, os atletas se enfrentam em alto nível o tempo todo, muitas vezes por semana. Isso ajuda demais.

12 – Já pensa no tetra? Qual o segredo para ser o ‘Mister Copa do Brasil’?
Eu acabo um campeonato já pensando no outro (risos). Agora, na verdade, penso no Brasileiro individual, em Recife, um título que almejo muito, pois ainda não o conquistei e quero muito ganhá-lo. Mas já penso, também, na Copa do Brasil do ano que vem. Sobre ser o ‘Mister Copa do Brasil’, o Brayner tem mais títulos do que eu (cinco), mas o objetivo é alcançá-lo.

13 – Qual a tática para isso?
Os treinos e meu amor pelo esporte, amo jogar futebol de mesa. Se pudesse, eu jogava todo dia. Gosto muito de jogar, da amizade que criei através do futmesa, da competição, eu curto muito tudo isso. Então, o negócio é treino, dedicação e cabeça fria. Eu sempre falo que o psicológico é 70% desse esporte, é não sentir o jogo, não ficar nervoso. Estou me adaptando cada vez mais aos grandes jogos. A tendência é que eu esteja sempre brigando por mais.

A campanha de Bandini
4 x 1 Carlos André (Lafume-RJ)
3 x 0 Marco Lomba (Continente-SC)
4 x 1 Bruno Campos (Gama-DF)
0 x 2 Pity Hauer (Ricetti-PR)
2 x 4 Bê Magalhães (Flamengo)
2 x 1 Eid Trindade (Asfepa-PA)
4 x 0 Danilo Silva (Petropolitano-SC)
5 x 0 Leonardo Brumel (Assefe-DF)
2 x 1 Davi Trigueiros (CSS-PR)
3 x 2 Bruno Vieira (Uberabinha-MG)
3 x 0 Mario Burgel (Zona Sul-RS)
1 x 2 Léo Azeredo (Lafume-RJ)
2 x 1 Jeferson Tabajara (Cepe 2004-SP)
4 x 0 Vitinho (River-RJ)
5 x 0 Colla (São Cristóvão-RJ)
5 x 2 Lucas Mendonça (Flamengo-RJ)
2 x 0 Thiago Spitz (Nova Friburgo-RJ)
Total: 17 jogos, com 14 vitórias e três derrotas, 51 gols feitos e 17 sofridos

Entretanto, a competição foi muito mais do que a conquista de Rodrigo Bandini. Como já citado na entrevista, os atletas federados à Fefumerj tiveram grande destaque na competição, conquistando todas as posições do pódio da Categoria Ouro. Confira os principais colocados da competição:

CAMPEÃO – RODRIGO BANDINI – FLUMINENSE/RJ
VICE-CAMPEÃO – TIAGO SPITZ – NOVA FRIBURGO/RJ
3º LUGAR – LUCAS MENDONÇA – FLAMENGO/RJ
4º LUGAR – HUGO CARNEIRO – SÃO CRISTÓVÃO/RJ
5º LUGAR – VINÍCIUS ESTEVES – FRIBURGUENSE/RJ
6º LUGAR – LÉO AZEREDO – LAFUME/RJ
7º LUGAR – LUIZ COLLA – SÃO CRISTÓVÃO/RJ
8º LUGAR – BRAYNER WERTMULLER – FLAMENGO/RJ

A Série Prata também reservou uma decisão de altíssimo nível técnico, reunindo atletas experientes em uma partida de grande qualidade. Ao final, Carlos Renan Gatto, do São Cristóvão, do Rio de Janeiro, sagrou-se campeão ao vencer André Amorim, do Marcílio Dias, de Santa Catarina.

CAMPEÃO – CARLOS RENAN GATTO – SÃO CRISTÓVÃO/RJ
VICE-CAMPEÃO – ANDRÉ AMORIM – MARCÍLIO DIAS/SC
3º LUGAR – RAMILO NEVES – FLAMENGO/RJ
4º LUGAR – WALLACE RIBEIRO – POSEIDON/SC
5º LUGAR – CÉSAR NASCIMENTO – CABOFRIENSE/RJ
6º LUGAR – RAFAEL MARQUES – RIVER/RJ
7º LUGAR – FABIO BATISTA – DESTERRO/SC
8º LUGAR – CÉSAR VIDAL – INTERNACIONAL/RS

Na Série Bronze, os confrontos foram marcados pelo equilíbrio e intensidade, culminando em uma final extremamente disputada. O grande campeão foi Márcio Coelho, do Eldorado, de Minas Gerais, que conquistou o título após superar Madison Jules, do Continente, de Santa Catarina.

CAMPEÃO – MÁRCIO COELHO – ELDORADO/MG
VICE-CAMPEÃO – MADSON JULES – CONTINENTE/SC
3º LUGAR – SANDRO OZÓRIO – ZONA SUL/RS
4º LUGAR – EDUARDO TRINDADE – ASFEPA/PA
5º LUGAR – BÊ MAGALHÃES – FLAMENGO/RJ
6º LUGAR – RAFAEL GALLOTTI – CONTINENTE/SC
7º LUGAR – WAGNER SÁ – ASSEFE/DF
8º LUGAR – FÁBIO FORTES – POAFM/RS

Na Série Extra, o título ficou com André Araújo, da ASSEFE, do Distrito Federal, após uma grande decisão diante de João Pacheco, do Desterro Futmesa, equipe anfitriã da competição.

CAMPEÃO – ANDRÉ ARAÚJO – ASSEFE/DF
VICE-CAMPEÃO – JOÃO PACHECO – DESTERRO/SC
3º LUGAR – JORGE CUNHA – BEIRA RIO/SC
4º LUGAR – PEDRO BRASILEIRO – AABB CARUARU/PE
5º LUGAR – EDU REDONDO – VEMSER SÃO JOSÉ/SP
6º LUGAR – RONALDO BASTOS – CABOFRIENSE/RJ
7º LUGAR – SÉRGIO DOS SANTOS – CONTINENTE/SC
8º LUGAR – GEORGE AGUIAR – BEIRA RIO/SC

Destaque também para Arthur Krüger que foi campeão do torneio Sub-18, garantindo o primeiro título nacional do Grajaú Tênis Clube, do Rio de janeiro. Arthur, este ano, venceu também o Rio-São Paulo, além de ser o atual bicampeão brasileiro e atual bicampeão estadual Sub-18 da regra Dadinho.